O Pioneiro

Artigo especialmente preparado para o livro Famílias Catarinenses de Origem Germânica. Conteúdo de autoria de Solange Plothow de Castro. Todos os direitos reservados.

CARL FRANZ PLOTHOW CHEGA A JOINVILLE

Um pouco sobre os antepassados

Boa parte do território que hoje conhecemos como Alemanha, inclusive sua capital Berlim, pertencia à extinta Prússia[i]. A Prússia viria a ser o maior Estado formador da Alemanha, durante o seu processo de unificação.

Entre os anos 1740 e 1786 o Rei Frederico II – Frederico, o Grande – comandava uma Prússia reconhecida pelo crescimento de sua economia e pela força de seu exército, que havia se saído vitorioso de batalhas recentes[ii]. Nesse período, em Berlim, mais exatamente em 1759, nasceu Johann Friedrich Plothow.

Em 6 de janeiro de 1788 Johann Friedrich casou-se com Anne Sophie Caroline Sannen, filha de Johann Cristian Sannen e Marie Caroline Fixim. O casal teve 11 filhos entre os anos 1788 e 1809. Um deles era Carl Friedrich Anton Plothow, quinto filho do casal, nascido em Berlim no dia 17 de agosto de 1797. No mesmo ano assumiu o trono da Prússia um novo rei, Frederico Guilherme III. Johann Friedrich Plothow viria então a trabalhar como ajudante de campo da família real.

Durante esse período o cenário político-econômico local mostrava-se bastante conturbado. A Prússia seguia se envolvendo em batalhas, conflitos e acordos internacionais, que ora expandiam, ora reduziam seu território[iii].

Em 14 de fevereiro de 1817 Carl Friedrich Anton Plothow perdeu sua mãe, Anne Sophie, e não muito tempo depois, em 18 de setembro de 1821, perdeu seu pai, Johann Friedrich. Com certeza foram tempos difíceis, afinal o jovem Carl Friedrich estava ainda com 24 anos de idade; mas boas notícias estavam a caminho.

No terceiro dia de outubro de 1828, Carl Friedrich Anton, caixeiro-viajante e também agricultor, casou-se com Friederike Albertine Bertha Schauss, nascida em 14 de julho de 1792 também em Berlim. Em 25 de julho de 1829 nasceu o primogênito, Carl Franz Plothow (batizado em 16 de agosto de 1829 na Igreja Paroquial de Berlim). Em 23 de janeiro de 1832 nasceu Anton Friedrich Plothow, o segundo filho do casal. As crianças ainda eram muito pequenas – o mais novo tinha completado recentemente dois anos de idade – quando em 1.º de setembro de 1834 a esposa de Carl Friedrich Anton faleceu.

A Europa fervilhava, assim como os ânimos dos prussianos. Anos antes a Prússia havia se saído vitoriosa das Guerras Napoleônicas[iv] e se consolidara como potência inconteste, juntamente com a Áustria, das regiões germânicas. Carl Friedrich Anton via sua situação complicar-se, viúvo e com dois filhos pequenos.

Ele casou-se então, em segundo matrimônio, com Anne Dorothea Motel, com quem teve mais três filhos, todos nascidos em Berlim:

  • i.Marie Luise Plothow, em 23 de outubro de 1840;
  • ii.Carl Paul Otto Plothow, em 21 de outubro de 1842;
  • iii.Marie Sophie Agnes Plothow, em 28 de maio de 1844.

Figura 1 – Esquema explicativo de parte dos membros da família

Figura 1 – Esquema explicativo de parte dos membros da família

Na Europa a primeira metade do século XIX foi marcada pelo confronto de forças entre aqueles que queriam uma Alemanha unida sob uma constituição democrática e os conservadores, que desejavam mantê-la como um conjunto de Estados independentes, onde a Prússia se sobressaía.

Em 29 de março de 1844 morreu Carl Friedrich Anton Plothow. Seus dois filhos sentiram-se mais uma vez sozinhos e desnorteados.

Eclodiram, nos idos de 1848, revoluções em toda a Europa. Em meio ao clima de incerteza, de instabilidade política e econômica, no ano de 1852 Carl Franz, filho mais velho de Carl Friedrich Anton, então com 23 anos de idade, resolveu buscar uma nova vida. Ele decidiu emigrar para a recém-surgida Colônia Dona Francisca, localizada no sul do Brasil, sobre a qual muitos já tinham ouvido falar. Seu irmão, Anton Friedrich Plothow, tomou decisão semelhante, porém escolheu os Estados Unidos da América como destino.

A chegada a Joinville

No dia 20 de setembro de 1852, comandado pelo Capitão Petersen, o navio Andromache deixou o porto de Hamburgo rumo ao Brasil. A bordo, além do jovem Carl Franz Plothow, o navio trazia outros 85 passageiros[v], em sua grande maioria procedentes da Prússia. Temos aqui de reconhecer a bravura e a coragem de todos os imigrantes que fizeram história em Santa Catarina. Coragem para deixar para trás o que lhes era familiar e entrar em uma aventura, atravessando o oceano rumo ao incerto. Não há dúvida de que a esperança de um futuro promissor era o motor que os impulsionava.

O Andromache foi o último navio a partir do porto de Hamburgo no ano de 1852. Os navios de emigrantes da época tinham basicamente as mesmas características: feitos de madeira, sem grande conforto, mas fortes o suficiente para resistirem à travessia entre ondas e tempestades. Os porões eram muitas vezes carregados com carvão mineral, que servia de lastro, além das bagagens dos viajantes. As entrecobertas ficavam logo acima dos porões e representavam o tipo de acomodação mais simples, destinadas àqueles que haviam despendido pouco dinheiro com a compra de passagens. Era uma área de pouca ventilação e iluminação, que tornava as viagens longas ainda mais cansativas. No convés os passageiros podiam circular e tomar ar fresco, mas não raro tinham de dividir espaço com a aparelhagem do navio, com o cercado reservado aos porcos e com o viveiro das galinhas. Esses animais eram abatidos durante a viagem e servidos como alimento.

Além da entrecoberta, que abrigava sempre a maior parte dos passageiros, os navios possuíam ainda as acomodações da tripulação e os camarotes de primeira e segunda classes. Esses dois últimos eram bem mais ventilados e espaçosos e muitas vezes contavam com alguns confortos, como relógios, espelhos e mesas.

Em 5 de dezembro de 1852 o Andromache aportou em São Francisco do Sul. Logo em seguida Carl Franz e os demais passageiros seguiram para Joinville a bordo de pequenas canoas ou baleeiras. Subiram o Rio Cachoeira, serpenteando entre a mata intocada até chegar ao Ribeirão Mathias, local do desembarque. Esse pequeno trecho de pouco mais de 25 quilômetros levava várias horas para ser percorrido, e frequentemente a maré baixa e o mau tempo causavam um maior atraso ao transbordo.

Com a chegada desse último grupo de imigrantes, no final de 1852 a Colônia Dona Francisca registrava 679 habitantes. O total de imigrantes desembarcados desde a sua fundação era de 898 pessoas, porém 125 haviam falecido até então, e 118 tinham se mudado para outras cidades. O número 679 incluía ainda os residentes nascidos na Colônia[vi].

Carl Franz, que tinha deixado para trás sua terra natal, seus amigos e as pessoas que lhe eram próximas, encontrou aqui uma colônia alemã formada havia pouco mais de um ano, com pouquíssima estrutura e muito ainda por ser feito.

Figura 2 – Galera de 3 mastros, veleiro típico da época de 1850
Fonte: Ficker (1965, p. 96)

Figura 2 – Galera de 3 mastros, veleiro típico da época de 1850 Fonte: Ficker (1965, p. 96)

Da mesma forma que as poucas centenas de imigrantes que o antecederam, e assim como todos aqueles que viriam a lhe suceder, Carl Franz sentiu as dificuldades dos primeiros dias em sua nova pátria e o desconforto inicial causado pelo clima quente e demasiadamente úmido. A paisagem era belíssima, e os já residentes relatavam que a terra era fértil e que havia oportunidade para todos. Estava claro que enfrentaria um duro período de adaptação, com trabalho árduo.

Logo chegou o Natal e Carl Franz enfrentou novamente a solidão. Era o momento de arregaçar as mangas e começar a trabalhar.

A vida na Colônia Dona Francisca

Os imigrantes recém-chegados eram encaminhados para casas de recepção mantidas pela direção da colônia. Os solteiros ocupavam quartos coletivos, enquanto as famílias eram acomodadas em quartos separados dos demais. Ali os novos moradores permaneciam até que tivessem construído suas próprias cabanas ou casas e até que estivessem em condições de para lá se mudar.

Um levantamento recente[vii], baseado em documentos pertencentes ao Arquivo Histórico de Joinville, descreve Carl Franz como proprietário do lote número 723, localizado logo no início da Estrada da Serra (atual Rua Dona Francisca). Documentos antigos (datados de 1864) mostram que Carl Franz foi também proprietário do lote 330, que tinha 9.750 braças quadradas, o que corresponderia hoje a cerca de 40.000 metros quadrados. Tal área estava localizada entre as atuais ruas Visconde de Taunay e Ministro Calógeras, na mesma cidade.

Figura 3 – Carl Franz Plothow
Fonte: Acervo pessoal de Jeferson Williams Plothow

Figura 3 – Carl Franz Plothow Fonte: Acervo pessoal de Jeferson Williams Plothow

Carl Franz tinha como profissão “Ökonom”, ou seja, atividade ligada à economia. Nos dias atuais chamaríamos essa profissão de administrador de empresas. O trabalho desenvolvido por Carl Franz em Joinville era de “Fuhrmann”. “Fuhr” significa liderar, dirigir, guiar, transportar. Carl Franz, portanto, era um transportador. Mas com toda segurança podemos chamá-lo de carroceiro, uma vez que a carroça era um dos poucos veículos, na época, capazes de transportar grandes volumes de carga, de fazer a ligação entre as cidades e de garantir a chegada das mercadorias vindas de outras regiões.

Em 3 de junho de 1854 chegou a São Francisco do Sul mais um grupo de imigrantes destinados a Joinville, o quarto desde a chegada do Andromache. O navio desta vez era o Linda, sob o comando do Capitão Besault, procedente de Hamburgo. Trazia 116 passageiros[viii], entre eles a jovem Dorothea Friederike Auguste Elisabeth Meyer, então com 18 anos de idade, nascida em 19 de maio de 1836 em Göttingen, Alemanha. Chegava assim a mulher que se tornaria esposa de Carl Franz. Enquanto isso, Carl Franz trabalhava ativamente para o desenvolvimento e para o crescimento da colônia.

Em 26 de dezembro de 1855, juntamente com amigos, Carl Franz fundou a Sociedade Atiradores de Joinville – Schuetzen-Verein zu Dona Francisca. O grupo de fundadores era composto pelos senhores Carl Pabst, Franz A. Fellechner, Frankenberg, Elias, Levenhagen, von der Osten, Tiemann, Niemeyer, Zinneck, Stamm, Poschaan Jnr., Lasperg, Haltenhoff, Carlos Lange, Carl Huehn, Friedrich Heeren, August Wunderwald, A. Ravache, Eduard Trinks e Carl Monich. A sociedade tinha finalidades esportivas e recreativas. Foi estabelecida uma joia de 500 réis para cada sócio e uma prestação mensal de $200.

“Em 12 artigos e parágrafos, estabeleceu-se a ordem social conforme as tradições antigas dos clubes europeus de Tiro ao Alvo. As contribuições semanais foram fixadas em 4 vinténs e a cada 15 dias organizava-se um “Ballotement”, ou competição, com a presença de, pelo menos, 12 sócios”[ix].

Destaca-se o comportamento empreendedor de Carl Franz quando, em 16 de fevereiro de 1856, passou a compor o quadro de integrantes da primeira loja maçônica do Estado de Santa Catarina, a “Deutsche Freundeschaft zum Südlichen Kreuze”, ou Amizade Alemã ao Cruzeiro do Sul. Ela havia sido fundada poucos dias antes, atuando em língua alemã e no Rito Schröder. A criação dessa loja maçônica foi o caminho natural dos imigrantes maçons, iniciados em tradicionais lojas alemãs, que traziam para Joinville cultura e conhecimento incomuns para as colônias agrícolas da época.

Outra importante contribuição de Carl Franz para o crescimento de Joinville foi a sua presença no “Vertreterschaft”, ou Grupo de Proprietários. O “Vertreterschaft” era um conselho de representantes da colônia com o objetivo de promover o desenvolvimento da comunidade por intermédio da tomada de decisões estratégicas e do recolhimento de taxas que eram usadas na manutenção das estruturas públicas e na construção de estradas, como a Estrada Dona Francisca. Iniciativas como essas viabilizaram a criação das vias de comunicação com outras cidades da região e abriram caminho para o crescimento de Joinville. No jornal “Kolonie Zeitung” de janeiro de 1864, página 7, Herr Plothow consta como representante da Rua Alemã no conselho[x].

O casamento de Carl Franz

Além de poucas bagagens e muitas lembranças os imigrantes traziam consigo sua cultura, sua fé e religião. Muitos traziam suas bíblias e hinários e buscavam nesses livros conforto e esperança para os dias difíceis. Durante a época do Brasil Império (1822-1889) a religião católica era a única oficial no país, e aos não católicos não era permitida a manifestação pública de sua fé. Contudo a grande maioria dos residentes da Colônia Dona Francisca era de evangélicos luteranos, que somente poderiam manter suas tradições de culto em edificações chamadas “casas de oração”. Essas sim eram aceitas sem grandes problemas. Assim, em 1.º de junho de 1857, sob regência do pastor Georg Hölzel, foi inaugurada a primeira igreja de Joinville – promovendo o culto evangélico luterano – com sua edificação sem torres, a fim de descaracterizá-la como igreja e não desrespeitar a legislação da época.

Também sob o pastorado de Georg Hölzel, em 1.o de novembro de 1857, foi celebrado o casamento de Carl Franz e Dorothea Friederike. Como padrinhos tiveram Feodor Ravache e Ludolph Lechte[xi]. Podemos aqui perceber a qualidade de “apressadinhos” do nosso casal, uma vez que Dorothea se casou grávida e ainda no mesmo ano teve seu primeiro filho. O casal veio a ter 12 filhos:

  • i.Albert Rudolph[xii] Franz Plothow, nascido em 26 de dezembro de 1857 e falecido em 2 de março de 1885. Solteiro e sem sucessão.
  • ii.Paul Heinrich Anton Plothow, nascido em 3 de novembro de 1859 e falecido em 22 de janeiro de 1917. Casou com Margaretha Böhmer. Sem sucessão.
  • iii.Bertha Barbara Plothow, nascida em 4 de junho de 1861 e falecida em 1.º de janeiro de 1867. Solteira e sem sucessão.
  • iv.Wilhelm Julius Franz Plothow, nascido em 17 de maio de 1863 e falecido em 30 de novembro de 1894. Solteiro e sem sucessão.
  • v.Marie Ernestine Plothow, nascida em 9 de abril de 1865 e falecida em 15 de junho de 1873. Solteira e sem sucessão.
  • vi.Otto Plothow, nascido em 18 de março de 1867 e falecido em 7 de junho de 1873. Solteiro e sem sucessão.
  • vii.Anton Wilhelm Plothow, nascido em 11 de dezembro de 1868 e falecido em 29 de maio de 1937. Casou-se com Bertha Sophie Berkendorf, com quem teve 6 filhos.
    • 1. Rudolfo Paulo Plothow
    • 2. Gertrud Plothow
    • 3. Charlotte Plothow
    • 4. Erna Ida Plothow
    • 5. Bertha Victoria Henriette Plothow
    • 6. Franz Hermann Plothow
  • viii. Marie Charlotte Alvine Plothow, nascida em 25 de julho de 1870 e falecida em 1.º de junho de 1897. Solteira e sem sucessão.
  • ix. Franz Emil Plothow, nascido em 19 de junho de 1873 e falecido em 17 de julho de 1960. Casou-se com Bertha Wilhelmina Louise Siedschlag, com quem teve 9 filhos.
    • 1. Paul Wilhelm Reinhold Plothow
    • 2. Frieda Wilhelmina Plothow
    • 3. Rudolph Otto Anton Plothow
    • 4. Erwin Plothow
    • 5. Wanda Paula Martha Plothow
    • 6. Hulda Plothow
    • 7. Arthur Henrique Plothow
    • 8. Martha Helena Plothow
    • 9. Jenny Bertha Plothow
  • x.Friedrich Carl Plothow, nascido em 27 de fevereiro de 1875 e falecido em 29 de maio de 1913. Casou-se com Wilhelmine Goll, com quem teve 2 filhos.
    • 1. Bertha Plothow
    • 2. “Desconhecido” Plothow
  • xi.Rudolph Erwin Plothow, nascido em 27 de maio de 1877 e falecido em 25 de janeiro de 1951. Casou-se com Ida Emilie Catherina Eisenhut, com quem teve 7 filhos.
    • 1. Elisa Frieda Plothow
    • 2. Paula Maria Plothow
    • 3. Eugênio Carlos Antonio Francisco Plothow
    • 4. Rudolph Plothow
    • 5. Frederico Carlos Augusto Otto Plothow
    • 6. Henrique Erwin Max Plothow
    • 7. Irma Hilda Plothow
  • xii. Elise Camila Plothow, nascida em 30 de julho de 1880 e falecida em 4 de julho de 1941. Casou-se com Hugo Rudolph Schlütter, com quem teve 6 filhos.
    • 1. Gustavo Schlütter
    • 2. Sophia Schlütter
    • 3. Eric Schlütter
    • 4. Walther Schlütter
    • 5. Hilda Schlütter
    • 6. Irma Schlütter

A família crescia e ao mesmo tempo o trabalho duro continuava. Em 1871 Carl Franz passou a integrar o “Kulturverein”, ou Associação Agrícola. Entre outras atividades desenvolvidas pela associação, estava a importação de modernos arados, que eram trazidos de Berlim e que fizeram grande sucesso na época. Carl Franz, certamente por seu conhecimento na operação de tal maquinário, desempenhou o papel de instrutor e demonstrador do funcionamento dos arados. A edição 32 do jornal “Kolonie Zeitung” de 12 de agosto de 1871, fez menção ao assunto.

Faltando pouco menos de um mês para completar 44 anos, Carl Franz enfrentou uma das batalhas mais difíceis de sua vida. Em 7 de junho de 1873 seu filho Otto veio a falecer, e apenas oito dias depois ele perdeu sua filha Marie Ernestine. Cerca de 6 anos antes o casal Carl Franz e Dorothea já haviam sofrido a perda de sua filha Bertha Barbara, falecida no dia 1.º de janeiro de 1867.

Carl Franz faleceu em 23 de junho de 1886, não sem antes ter de enfrentar mais uma dura prova: a perda de seu filho primogênito, Albert Rudolph Franz Plothow, falecido em 2 de março de 1885, então com 27 anos.

Segundo apontam os arquivos da Comunidade Evangélica de Joinville, Carl Franz teria falecido de infarto. Sua esposa, Dorothea Friederike, faleceu 13 anos depois, em 16 de julho de 1899. Carl Franz está sepultado no Cemitério dos Imigrantes de Joinville, no túmulo 307. Além dele estão sepultados no mesmo cemitério sua esposa, Dorothea (túmulo 146), seu filho Friedrich Carl (túmulo 264) e sua neta Bertha Plothow, filha de Friedrich Carl (túmulo 348).

Localizado numa região alta da “Mittelweg”, atual Rua XV de Novembro, o Cemitério dos Imigrantes (na época denominado Cemitério Evangélico) teve seu primeiro sepultamento realizado em 27 de dezembro de 1851. Nessa data foi ali sepultado o Tenente Carl Andreas von Bürow. Antes de von Bürow outras 45 pessoas já haviam falecido na Colônia Dona Francisca e tinham sido sepultadas num primeiro cemitério situado numa região mais baixa da cidade. A transferência do local do cemitério deu-se depois que uma forte chuva que coincidira com a maré alta destruiu toda a estrutura até então construída.

Tombado pelo Patrimônio Histórico em 1962, o Cemitério dos Imigrantes é um marco da história da imigração germânica em Joinville.

“Foram enterrados no Cemitério dos Imigrantes 3.199 pessoas durante 62 anos. Quando fizeram o Cemitério Municipal, em 1913, o do Imigrante foi fechado. Como existem jazigos perpétuos, depois do fechamento ainda foram enterradas 36 pessoas de 1914 a 1923 com licença especial”[xiii].

Carl Franz deixou 322 descendentes, conforme o último levantamento, datado de ouubro de 2009: 12 filhos, 30 netos, 39 bisnetos, 80 trinetos, 132 tetranetos e 29 pentanetos. Boa parte deles reside em Joinville, mas alguns rumaram para São Paulo (SP), Santos (SP), São Vicente (SP), Canoinhas (SC), São Bento do Sul (SC), Mafra (SC) e até mesmo Várzea Grande (MT) e Cuiabá (MT).

Em 1866 Carl Franz presenciou a emancipação do vilarejo chamado Colônia Dona Francisca, que se separou de São Francisco do Sul. Em 1868 viu a colônia ser elevada à condição de vila e em 1877 a vila elevar-se à condição de cidade. Chegou aqui e encontrou a colônia com pouco mais de 600 moradores, e na época de seu falecimento Joinville já contava com mais de 15.000 habitantes. Com certeza Carl Franz não imaginava que aquele pequeno vilarejo que ele ajudou a desenvolver viria a se tornar a maior cidade do estado.

Agradecimentos

Um especial agradecimento ao trabalho formidável de Werner Plothow, in memoriam, e de Heriberto Plothow, in memoriam, que construíram a base da árvore genealógica da família Plothow no Brasil. Agradeço também a Brigitte Brandenburg, Paulo Roberto da Silva, Viviane Rodrigues[xiv] e todos os descendentes de Carl Franz que colaboraram na garimpagem das informações.

Referências

BÖBEL, Maria Thereza; S. THIAGO, Raquel. Joinville – Os Pioneiros – Documento e História – Volume I. Joinville: Editora Univille, 2001.

______. Joinville – Os Pioneiros – Documento e História – Volume II. Joinville: Editora Univille, 2005.

CARAVALHO, Cleide. As memórias que às vezes são esquecidas. REVI, Revista Eletrônica, Curso de Comunicação Social, Bom Jesus / Ielusc. Disponível em: http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revi_2005/revi_mod_reg.php?id=0660. Acesso em: 12 jun. 2009.

EHLKE, Cyro. A Maçonaria no Passado Histórico Joinvillense. Joinville: Arquivo Histórico de Joinville, 1990.

FICKER, Carlos. História de Joinville – Crônica da Colônia Dona Francisca. Joinville: Impressora Ipiranga, 1965.

HERKENHOFF, Elly; BÖBEL, Maria Thereza. Famílias Brasileiras de Origem Germânica – Volume VII. São Paulo, Staden Institut, 1989.

IGREJA de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Disponível em: http://www.familysearch.org/eng/default.asp. Acesso em: 15 abr. 2009.

TERNES, Apolinário. História de Joinville: uma abordagem crítica. Joinville: Meyer, 1981.

[i]. Prüsa em prussiano antigo; Preuβen em alemão.

[ii]. Destaque para a Guerra da Silésia, Guerra dos Sete Anos, Batalha de Burkersdorf e Primeira Partição da Polônia.

[iii]. Destaque para a Guerra da Silésia, Guerra dos Sete Anos, Batalha de Burkersdorf e Primeira Partição da Polônia.

[iv]. A Prússia teve papel fundamental na Batalha de Waterloo, numa consagrada vitória sobre o exército de Napoleão.

[v]. Lista oficial do navio elaborada pelo Agente de Emigração, em Hamburgo. In: BÖBEL, Maria Thereza; S. THIAGO, Raquel. Joinville – Os Pioneiros – Documento e História – Volume I. Joinville: Editora Univille, 2001.

[vi]. FICKER, Carlos. História de Joinville – Crônica da Colônia Dona Francisca. Joinville: Impressora Ipiranga, 1965. p. 129.

[vii]. Pesquisa realizada por Brigitte Brandenburg (fornecida por comunicação pessoal).

[viii]. Segundo o Diário de Imigração, elaborado pelo Diretor da Colônia, quando da chegada dos imigrantes. In: BÖBEL; S. THIAGO, Op. cit.

[ix]. FICKER, Op. cit., p. 167.

[x]. Informação coletada durante pesquisa realizada por Brigitte Brandenburg (fornecida por comunicação pessoal).

[xi]. Conforme livro de registros de proclamas da Comunidade Evangélica de Joinville.

[xi]. Em alguns registros o segundo nome Rudolph não é mencionado.

[xiii]. CARAVALHO, Cleide. As memórias que às vezes são esquecidas. REVI, Revista Eletrônica, Curso de Comunicação Social, Bom Jesus / Ielusc. Disponível em: http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revi_2005/revi_mod_reg.php?id=0660. Acesso em: 12 jun. 2009.

[xiv]. Revisora gramatical.

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